Maio de 1940.... entrei na escola em 1934. Barbarina entrou em 1940. Como foi difícil pra ela aprender a ler. Os números... ela entendia como ninguém.... as letras embaralhavam completamente a cabeça dela.
E ninguém conseguia fazer com que ela aprendesse a ler. Fui incumbida da estrondosa tarefa. Em 1940, quando Barbarina começou a estudar... eu estava no quarto ano. Não precisa ser muito esperto para perceber que eu também tive sérias dificuldades de aprendizagem. E agora a árdua tarefa tinha sido entregue a mim. Barbie tinha de aprender a ler.
A cartilha: figuras coloridas e palavras em tinta preta no papel branco. As palavras eram realmente assustadoras e não faziam sentido nenhum. Os desenhos, pelo contrário, diziam tudo o que as palavras eram incompetentes para nos fazer entender.
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'Vovó viu a uva.' 'O bebê baba'.
E Barbi aprendeu a ler as figuras.... mas ninguém se deu conta disso. Até que um dia....
A professora, D. Helena, alta, magra, com os cabelos sempre presos em um coque e um colar dourado, que fazia a gente pensar que ela era riquíssima... Ela tinha automóvel também. Na verdade o automóvel era do marido dela - o único médico da cidade.... e o único automóvel também. Naquela época... depois chegaram outros... automóveis. Outro médico, só depois que casei e saí de lá.
D. Helena chamou Barbi para a frente da sala - prova de leitura.
D. Helena ia apresentando folhas de papel cartão branco - com um desenho - e a respectiva palavra três vezes escrita, em assustadoras letras garrafais. E Barbi ia indo muito bem... até que
'Carote, carote, carote...' leu quando a professora apresentou a cartela com três lindas cenouras....
D. Helena teve um ataque.... só nesse momento ela percebeu que Barbie não sabia ler nada de palavras... ela lia, sim... lia figuras.
Na folha tremendo na mão de D. Helena, furiosa, estavam três lindas cenouras... e as palavras: Cenoura - Cenoura - Cenoura...
e a estúpida da Barbarina leu em italiano, ou melhor, disse o nome das figuras na língua que falávamos em casa.
Não preciso contar das reguadas que levou nas mãos... dos joelhos dobrados nos grãos de milho durante o resto da aula.
E da surra que eu levei quando mamãe ficou sabendo do ocorrido. E Barbarina continuou sendo ruim com as letras o resto da vida... Mas os números! Esses acompanharam Barbie por toda a parte e ainda hoje ajudam a aumentar a renda da família.
Contar que sempre faço o bolo de cenoura - o preferido - quando Barbie vem me visitar trouxe-me à memória a minha incapacidade de ensinar alguém a ler... incapacidade que me acompanhou pro resto da vida também.
Tem gente que nasce pra ser professor... não eu.
Olá professora, boa tarde. Estou tentando contato com você via Facebook e Google+. Se puderes me enviar um e-mail para duducordeiro_@hotmail.com ou eduardo.cordeiro999@gmail.com eu agradeceria.
ResponderExcluirPs. Me desculpe por utilizar este espaço para falar com você, porém não consegui outro.
Att. Eduardo Cordeiro.