sábado, 8 de junho de 2013

O sol nasceu forte... com todo o seu calor aqueceu a sacada cheia de vasos de flores. As flores procuram pelo sol. Costumo observar o movimento delas em direção ao astro rei. Viro o vaso para as flores mais bonitas ficarem na direção da minha sala. E as flores teimosas vão lentamente mudando de direção.. dois ou três dias é o suficiente para elas darem as costas para mim e se abrirem num lindo sorriso para o sol.

E eu vou lá e viro o vaso de flores novamente... e elas insistentemente voltam-se para o sol... é uma batalha entre mim e o sol....

Será que as flores não cansam de mudar de direção?

As nuvens branquinhas começaram a surgir no horizonte... devagarinho foram se aproximando; esconderam um pouquinho o sol... depois ficaram densas, escuras e o sol desapareceu por completo... até parecia que ia chover....

Fechei os olhos...  e a cadeira pra frente, pra trás... pra frente, pra trás...acho que cochilei.... quando abri os olhos alguns raiozinhos de sol começavam a sair de entre as nuvens... qualquer brechinha servia para o sol se espalhar.... e ele se espalhou e se espelhou no lindo mar azul.

Novembro de 1925... como já falei foi o dia que escolhi para vir ao mundo. Não lembro bem se tive a opção de escolher esse dia, também não sei se me foi permitido escolher o lugar onde nasci.

Simplesmente nasci num lugar e num dia qualquer... exatamente como todo mundo. Não é verdade que todo mundo começa assim? Num dia qualquer, num lugar qualquer!? Eu não seria exceção, claro.

Cheguei para papai e mamãe. Antes de mim, chegaram Justino, Federico, Odília, Teresa e Lenira.

Quando cheguei Teresa não estava mais aqui... uma coisa muito triste aconteceu com ela. Foi um acidente muito, muito triste... sempre que me lembro as lágrimas insistem em correr pelo meu rosto. E eu deixo, não seguro mais, elas rolam e eu deixo rolarem... não luto contra.

Cheguei, fui enrolada em uns paninho... só vestiram uma camisetinha branca... mais nada de roupas. Quando meus irmãozinhos nasceram foi tudo sempre igual. Cada um que nascia era enrolado em panos, ganhava uma camisetinha, era deitado no bercinho de ferro e ficava lá. Ficava até começar a gritar... gritar... gritar... de fome, é claro.

Então mamãe pegava o bebezinho e dava de mamar.... e durante uns seis ou sete meses era só o que os bebês ganhavam: mamadas

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