Pra frente... pra trás... pra frente... pra trás... meus olhos cansados se fecham lentamente... cochilo. De uns tempos pra cá, tenho cochilado tanto.
Todo vez que volto da cidadezinha onde nasci, prometo a mim mesma que é a última vez. Venho tão carregada de lembranças que elas pesam nos meus ombros, nos meus olhos... pesam tanto, que me fazem andar devagar, cada vez mais devagar.
E o tempo passa tão rápido... e quando vejo, descumpri minha promessa e estou lá... outra vez, mais uma vez. Quem sabe a última vez.
O mar à minha frente está mais escuro, o céu se encheu de nuvens, densas nuvens - os cumulonimbus - provavelmente vai chover, uma pancada forte, talvez. Os carros continuam de lá pra cá, continuamente.
Novembro de 1925.... o verão é longo. O sol escaldante castiga as plantações ao redor da pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul onde nasci - Xingu Novo.
Num dia quente, muito quente de novembro, nasci. E até meus 20 anos, morei nessa cidade que se esconde no meio de alguns morros que a circulam. Quanta história ela esconde!
Nada de especial nessas histórias... são apenas histórias de vida... de vidas - que passaram, que passam e que passarão. Porque é nisto que consiste a vida: passar.
Querida vida... você não cansa de passar? Você não sente vontade, de vez em quando, pelo menos, de em algum lugar ficar parada, estática, sem movimento pra frente. Não se mover... ficar pra todo o sempre parada? Ser pra sempre?
Não consigo parar de pensar que vou morrer. Não consigo parar de pensar em todas as minhas perdas. Porque morrer é deixar de ser, é perder. Não quero perder você, vida...
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