quarta-feira, 5 de junho de 2013

O estado do Rio Grande do Sul é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Quem primeiro chegou ao estado - quando só havia índios minuanos, charruas e caaguaras, que viveram há 12 mil anos a.C. - foram os jesuítas, lá pelo ano de 1600.

Depois chegaram os portugueses que brigaram com os espanhóis para tomar conta do lugar. Houve uma divisão entre esses dois povos.... muita briga... mais briga... e os jesuítas no meio, e os indígenas... enfim, briga e briga até que se definiram as fronteiras que estão aí até hoje.

Em 1875 começaram a chegar os italianos e, até 1914, entre oitenta a cem mil deles foram introduzidos no Rio Grande do Sul. A colonização italiana aconteceu no planalto ao norte, porque as terras baixas já eram ocupadas pelos alemães.

Durante o século XX, aconteceram grandes migrações no interior do estado gaúcho. Muitas famílias italianas abandonaram as serras e se espalharam por todo o estado, exatamente como as famílias de papai e mamãe.

As duas famílias se instalaram em Bento Gonçalves e, junto com muitos outros colonos, encontraram na região um clima extremamente favorável, semelhante ao europeu, para estabelecer a cultura da videira, que ainda é a predominante na região, no chamado Vale dos Vinhedos.

No comecinho do século XX, chegou a rede ferroviária até à região, e isso facilitou o escoamento da produção de vinho, proporcionando uma base econômica sólida para muitas famílias.

Uma das melhores lembranças de quando era criança que tenho é a de andar embaixo daqueles parrerais que pareciam não ter fim. Lembro que papai me pegava no colo para que eu colhesse os cachos lindos e saborosos de uva.

Achava maravilhosos aqueles dias quentes de verão que passávamos na casa de meus avós. Sinto o cheiro da madeira da casa deles, da polenta na chapa, do queijo e salame guardados no porão - de pedra - sempre fresco... do vinho que os adultos bebiam - nós, as crianças também podíamos beber um pouquinho de vinho doce que vovô fabricava. Cheiro das geleias, pães, cucas que vovó fazia...

Lembro do sabor inconfundível dos grostoli (orelha de gato) inconfundíveis, das tortinhas recheadas com geleia de uva, dos canudinhos recheados com sagu de vinho...

O que seria o homem sem a memória? Como é viver sem memória?

Eu aqui, neste momento, sem me mover - só a cadeira de balanço pra frente... pra trás... - e milhares de milhares de imagens... rostos, rios, jardins, casas, roupas, os dias de sol - o calor -; os dias de chuva - o barulho no telhado de zinco; os banhos nos rios... o cheiro de milho verde, o pinhão na chapa... memórias.

É disto que a vida é feita? De memórias?

Do que é feita a vida mesmo?

Do presente? Do futuro? Ou do passado?... Ou dos três juntos?

A vida é feita de momentos que estavam no futuro, saem de lá, chegam ao presente, por milésimos de segundo ficam no presente, vão para o passado e se depositam pra todo o sempre no passado?

Continuamente....até o fim!?

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