Não importa se farei grandes coisas em minha vida, ou se jogá-la na sarjeta... o fim será exatamente o mesmo. Talvez ele tenha razão: o que devemos fazer é o essencial para sobreviver e fim... qualquer gasto de energia pra além da sobrevivência é energia gasta inutilmente.
E a cadeira pra frente, pra trás... pra frente, pra trás.
O telefone toca. Estendo a mão e pego o aparelho que está na mesinha ao lado da minha cadeira. São 9 horas... é minha irmã Bárbara... Barbarina. Ela é professora aposentada, mas ainda dá muita aula particular. Aula de matemática. E ela ganha um bom dinheirinho com isso. As pessoas têm grande dificuldade com a matemática, pra serem aprovados muitos alunos a procuram... e ela gosta do que faz.
Ela mora numa cidadezinha também aqui do litoral: Itapema. Telefonou, como faz todos os dias às 9 horas, e aproveitou para me dizer que viria me visitar antes do fim do mês. Fiquei feliz... gosto quando ela vem para cá. Lembranças as mais diversas são o assunto de nossas conversas.
Sempre faço bolo de cenoura quando ela vem. É o preferido dela, e do Bento, meu sobrinho... Tomamos chá com bolo, e o que sobra ela leva para o café do dia seguinte.
Barbarina, quando criança, adorava as estrelas. Ela ficava até muito tarde, olhando para o céu... acho que ela acabou decorando o lugar de cada uma delas. Mas o que ela gostava mesmo de ver era
a chuva de meteoros que acontecia em muitas madrugadas.
Na época nós nem imaginávamos que eram meteoros, acreditávamos mesmo que eram estrelas que caiam mesmo. Meteoros são pequeninos corpos celestes que se movimentam pelo espaço e entram na atmosfera de nosso planeta. Eles queimam parcial ou totalmente por causa do atrito com a atmosfera da Terra... e isso deixa um risco luminoso no céu, que nós chamamos de estrelas cadentes.
Nas noites em que não havia Lua, o espetáculo luminoso era simplesmente fantástico....
Adivinha quem ficava na rua - fosse verão, fosse inverno - com Barbarina para ela não ficar sozinha?
E as lembranças vêm... da escuridão... do frio... dos barulhos estranhos da madrugada. Os monstros que povoavam nossas mentes aproveitavam essas noites de excursão pelo céu para nos assombrar. O pio da coruja... hoje ainda quando lembro um arrepio percorre minha espinha.
Eram pequenos eventos...mas que nos causavam grandes emoções.
O que seria da vida sem emoções?
Fechei os olhos pra lembrar melhor aqueles momentos noturnos... pra frente pra trás... pra frente, pra trás... e cochilei... mais uma vez
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