sexta-feira, 21 de junho de 2013

Trim... trim... trim... o telefone outra vez.... Não, não... não é mais este o som do meu telefone. Agora é musical... e toca uma música diferente pra cada pessoa que está na agenda.... pelo toque é minha neta Carolina... diariamente ela me telefona, e ficamos conversando por um bom tempo... falo com ela e com meus bisnetos... falamos, e falamos, e falamos... Temos uma mesma operadora e pagamos baratinho por horas de conversa.

Hoje é bem diferente de quando o telefone chegou à minha casa em 1980. Eram poucas as casas que tinham telefone e só era usado em casos de emergência, ou para falar com meus filhos. Durante muito tempo mantivemos um contato telefônico bem especial todos os fins de semana.

Hoje falamos todos os dias... todos os dias...

Mas naquela época, telefone era artigo de luxo. Um telefonema não podia durar mais do que 5 minutos... às vezes durava mais... e no fim do mês, quando a conta chegava, nos arrependíamos imensamente por ter usado mais tempo, gastado mais dinheiro.

Nossas conversas, quase invariavelmente, eram assim:

'Oi... tudo bem?'
'Sim, aqui tudo bem... e com vocês.'
'Aqui também está tudo bem.' 'Quando vocês vêm para cá?'
'Acho que na semana que vem ou na outra.'
'Que bom... estamos com saudades.'
'Nós também.' 'E vocês quando vêm pra cá?'
'Não sei... seu pai está trabalhando muito, então nos fins de semana tem de descansar... mas uma hora aparecemos aí.'
'Que bom... vamos esperar.' 'Então, nenhuma novidade?'
'Não nenhuma... tudo igual' .... ou às vezes... 'Ah! sim, Mariana ganhou nenê... é uma menina linda.' ou... alguém que casou, ou morreu, ou mudou de cidade - o mais raro de acontecer -, ou qualquer outra coisa bem banal.
'Então tá bom... vamos desligar.'
'Sim, vamos desligar... e o tempo como está?'
'O tempo está quente demais'.... ou frio demais... ou uma seca danada... ou normal...
'Então tá... um beijo pra todos... e fiquem com Deus.'
'Um beijo pra vocês e fiquem com Deus também.'

e click...

E eu ficava morrendo de vontade de ouvir a voz de meus netinhos... mas imagina gastar com telefone pra falar com as crianças... nem por sonho alguém podia ter esse tipo de pensamento.

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