Estou aqui em minha cadeira de balanço... pra frente, pra trás... pra frente, pra trás.... De onde estou vejo o mar - cinza neste momento -, duas ilhas lá na frente... e o movimento contínuo de carros na avenida onde moro.... de lá pra cá, de cá pra lá, continuamente...
Será que eles não cansam?
E eu? Estou cansada? Às vezes, acho que sim.... muito cansada; noutras, nem tanto... só o suficiente pra deitar e dormir.
Na sacada, coloquei um bebedouro para os beija-flores... e eles vêm trinta, quarenta vezes ao dia... sempre a mesma ação: colocam seu biquinho em um buraquinho, em uma florzinha... sugam minúsculas gotinhas de água, e se vão.
Será que eles não cansam?
O balançar da cadeira, o barulho contínuo dos carros, o zumbido de uma abelha... o que me dá mais sono? Não sei... tudo junto, quem sabe.
Fecho os olhos e uma nostalgia sem tamanho e sem forma me envolve inteira, assim como a noite imensa joga seu véu sobre o dia que se entristece e anoitece. A nostalgia toma a minha forma ou sou eu que me transformo?
Acabei de chegar da cidadezinha onde nasci. Há três dias eu estava lá, mais uma vez... visitei os lugares, as pessoas... relembrei, relembrei e relembrei.
Agora estou aqui, e as lembranças estão grudadas em mim. Colaram com um tipo de cola que não sai com água de jeito nenhum.
Só há um remédio: o tempo.
O tempo!! Será que ele não cansa?
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